Offline
SAGRADO, novo documentário de Alice Riff, é um dos grandes vencedores do é TUDO VERDADE 2026
Prêmio qualifica o filme a concorrer ao próximo Oscar na categoria de melhor documentário
Publicado em 20/04/2026 14:12
CINEMA
SAGRADO ganhou o Prêmio por afirmar, um cinema em que a política se inscreve na forma, no gesto e nas relações do cotidiano. - Foto: Divulgação

SAGRADO, novo longa-metragem da cineasta Alice Riff, produzido pelo Studio Riff e coproduzido pela Estúdio Giz, levou o prêmio de melhor longa-metragem da competição brasileira de médias e longas da 31ª edição do É Tudo Verdade, tornando-se elegível para apreciação na categoria de documentário do próximo Oscar. O filme também levou o prêmio de melhor direção entregue pela APACI, Associação Paulistas de Cineastas.

Na justificativa do Júri, SAGRADO ganhou o Prêmio: "por afirmar, com rara precisão, um cinema em que a política se inscreve na forma, no gesto e nas relações do cotidiano. Sem recorrer a artifícios, o filme sustenta, do título ao último plano, uma direção segura, rigorosa e profundamente consciente de seus meios. Ao escolher uma estratégia narrativa fundada na escuta, na observação e no respeito radical aos seus personagens, constrói uma experiência em que o invisível se torna presença sensível. A partir de um material de arquivo que prescinde de explicação, o filme se organiza em espiral até alcançar um plano-sequência final de grande potência, conduzido pelas vozes das crianças. Nesse gesto, simples apenas na aparência, o filme se afirma como uma obra de rara integridade, em que elaboração estética e potência política são indissociáveis. E afirma, com delicadeza e rigor, um cinema onde invenção, poesia e luta se tornam indissociáveis".

Totalmente filmado dentro de uma escola pública em Diadema, na região do Grande ABC paulista, o documentário acompanha o cotidiano de professores e funcionários da instituição, observando de perto suas rotinas, desafios e relações dentro do ambiente escolar. A diretora passa um longo período filmando o mesmo espaço, suas dinâmicas, reuniões, conversas formais e informais. Quanto mais se aproxima – e persiste em compreender esse microcosmo – surgem mais questões que extrapolam aquela escola e ajudam a radiografar a comunidade que a cerca.

"Sem sair desse espaço e sem filmar as crianças, construo o 'fora de campo': o espectador imagina quem são esses alunos, essas famílias, o bairro em que estamos inseridos. O filme trabalha em um jogo entre o que se vê e o que não se vê. A intenção era olhar para o universo da escola e da educação pelo ponto de vista de quem está no chão da escola", explica a diretora. Com SAGRADO, Alice Riff volta ao ambiente em que rodou seu filme anterior, Eleições, onde acompanha a eleição de um grêmio estudantil pelo ponto de vista dos alunos. No novo filme, a diretora repete o gesto, mas sob a perspectiva de quem faz o espaço funcionar: professores e funcionários.

Premiada por seus trabalhos anteriores, como Meu Corpo é Político, a cineasta afirma que sua intenção não era ter um personagem principal nem se aprofundar na vida desses personagens, mas criar um retrato de um espaço em que eles são as peças fundamentais: "Sabemos pouco sobre eles. Só sabemos deles a partir do que eles falam deles nos espaços e situações de trabalho. Mas imaginamos. O filme é sobre uma escola, e como esse grupo 'esculpe' essa instituição. Para mim, SAGRADO é um filme sobre o cuidado".

SINOPSE

SAGRADO acompanha a rotina de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema, São Paulo. A partir de situações do cotidiano, personagens são revelados, assim como uma história de luta e resistência popular. Sem sair da escola, o documentário constrói um retrato sensível sobre o território, seus dilemas e desafios.

A DIRETORA

Alice Riff (São Paulo, 1984) é diretora, roteirista e produtora dos longa-metragens documentais Eleições (2018), Meu Corpo é Político (2017) e Platamama (2018). Seus filmes passaram por importantes festivais nacionais e internacionais como Visions du Réel, Dok Leipzig, Festival do Rio, BAFICI, Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana e Festival de Brasília.

 

Meu Corpo é Político recebeu o prêmio de Melhor Filme Brasileiro no Olhar de Cinema de Curitiba e Melhor Filme no Lovers – LGBT Torino Film Festival.

 
Comentários
Comentário enviado com sucesso!